21 janeiro 2007
Uma noite (a)normal...
08 janeiro 2007
Estou de volta
Pois é! Eu sei que amanhã tenho um belo de um exame de “GESTÃO”, único, isto é, não há 2ª fase, no entanto, penso que é a altura certa para falar de um assunto específico. É ele: a mentalidade retrógrada do povo luso em algumas matérias. Fundamentalmente, em relação ao futebol.
Decidi escrever este post(a) por duas razões:
1 – A derrota do FCP para a taça com o Atlético;
2 – Um comentário que vi no YOUTUBE a uma compilação em homenagem ao Fehér.
Em relação ao primeiro ponto, não posso, obviamente, esconder o meu contentamento (sendo eu Benfiquista). É natural que adeptos dos clubes rivais fiquem contentes por ver o líder da I Liga ser eliminado em casa por um clube da 2ª Divisão B. Mas, será este resultado desportivo razão para ofensas e abusos? Estou dividido! Pelo Sr. Flatulências da Costa sim, mas pela instituição e (alguns) adeptos não. Podemos brincar, sim senhor, mas sem exageros, senão caímos no ridículo de fazer figuras de parvo... e de sermos vistos como maluquinhos...
Como é o caso do autor do seguinte comentário:
o em4lyfodido,entao es tao criancinha que apagas os comentarios que nao gostas?tas a espera do que ?simpatia a 1 lampiao?nunca,voces nem quando morrem merecem simpatia!feher morreu AINDA BEM,nunca me ri tanto quando vi o palhaco a cair naquele dia,e os outros otarios todos a chorar!lindo!SPORTING ACIMA DE TUDO E TODOS!!!
Mas... mas… o que é isto? Alguém me sabe explicar? Aplaudir a morte de um desportista, só porque é de um clube rival? Este indivíduo come ração de galinhas com uma palhinha ou é simplesmente alguém bateu com a cabeça num poste de iluminação cheio de caca de pássaro?
Neste caso, o comentário é de um Sportinguista, mas podia ser de qualquer um dos 3 principais clubes (ou de outros). E não devemos julgar o todo pela parte.
Provavelmente este “Sr.” (Senhor não é certamente, mas vamos ser educados) sofre de traumas de infância, nasceu, cresceu e só quando começou a trabalhar é que viu o seu clube ser, finalmente, campeão... Mas, oh meu amigo, são fases. O Benfica já esteve 10 épocas sem ganhar, o Porto, nos anos 60/70, teve 19 épocas sem ser campeão... acontece a todos.
Porque é que há dois anos, quando o Benfica foi campeão, os seus adeptos foram agredidos na cidade do Porto? Podem dizer que não deviam fazer lá a festa, podem dizer o que bem entenderem. Mas eu respondo assim _I_ e digo “O ©@®@£HØ!”. São residentes naquela cidade, são adeptos dum clube duma cidade a 300 Km de distância, não vão percorrer 600 Km para festejar, obviamente. Tal como os adeptos dos clubes do norte, podem festejar as suas vitórias noutras cidade, especificamente -> Lisboa.
Porque é que quando o Porto vem a Lisboa ou os clubes de Lisboa se visitam um ao outro, ou vão ao Norte, os seus autocarros têm de trazer vidros suplentes? E as áreas de serviço são locais com grande hipótese de se assistir a actos de puro vandalismo (quer o clube em questão ganhe ou perca)? Que merda de modo de “viver” é este?
Num país em que os árbitros são, constantemente, vistos como a fonte de todos os problemas (dentro do campo) (, para além das visitas para “bolinhos e chás” a certas individualidades). Num país em que jogadores, dirigentes, treinadores, adeptos e os próprios árbitros pedem a profissionalização da actividade da arbitragem, e que vem o jumento do Secretário de Estado dizer “ah, ui, e tal, não, porque isto não é Inglaterra”. Pois não e assim estamos cada vez mais longe de termos um futebol como o deles. Num país em que só há 30 jornadas (nas ligas profissionais). Jornadas essas com 16 (8 vezes 2 (8 em cada liga)) jogos cada uma. Perfaz, portanto, 480 jogos por ano, mais uns quantos na taça. Num país em que os jogos param no dia 17 de Dezembro e só voltam no dia 14 de Janeiro. Num país em que o preço dos bilhetes é um abuso para os bolsos dos amantes da modalidade. (Depois admiram-se de terem estádios com menos de 5 mil pessoas). Num país em que uma jornada ocupa 4 dias por causa das transmissões televisivas. Num país em que não se vê os principais clubes jogarem às 16 horas. Num país em que os casos judiciais (Apito Dourado, Mateus, etc) demoram meses e anos a serem resolvidos. Num país com tudo isto e muito mais, em relação ao futebol, como é que este pode ter credibilidade, e ser levado a sério?
Vamos então a Inglaterra.
Tem os hooligans. Está bem, mas há quanto tempo não se houve falar neles? (Estão em vias de extinção.)
Tem 4 clubes na Liga dos Campeões e mais 3 na Taça UEFA. Clubes esses, que normalmente, passam as fases de grupos de ambas as competições. Tem duas ligas com 20 clubes cada. Ligas essas que se formos assistir a qualquer um dos jogos é bem provável que assistamos a um espectáculo de futebol. E cada uma das quais com 38 jornadas, jornadas essas com 20 (10 vezes 2 (10 em cada liga)) jogos. Totalizam 760 jogos por ano. Para além de terem uma Taça da Liga, que engloba as 4 principais divisões inglesas (se não estou em erro) e de terem uma Taça de Inglaterra que engloba todos os clubes (incluindo distritais e regionais). Tem uma liga em que há jogos de 3 em 3 dias no mês de Dezembro. Tem uma liga em que é normal os jogos começarem às 12 horas. Sejam eles do Watford ou do Manchester United. Tem uma liga em que a afluência aos estádios é, em média, superior a 85% das lotações dos mesmos. Tem uma liga em que, como aconteceu o ano passado, os jogadores (e adeptos) do Manchester United receberam com palmas os campeões do Chelsea em Old Traford (estádio do Manchester United). Numa liga em que, como aconteceu o ano passado, o Benfica foi ganhar a Anfield Road (Liverpool) e o jogo termina com os adeptos do Liverpool a aplaudirem os jogadores do Benfica.
Podem falar de diferenças de orçamentos, mas há pontos em que o dinheiro não é o mais importante: horários dos jogos, desportivismo dos adeptos e dos jogadores, saber perder, profissionalizar os árbitros. Sim este aspecto não é tão dispendioso como se possa imaginar. E o dirigente dos árbitros em Inglaterra expressou isso mesmo.
Este foi mesmo sem graça (mais um), desculpem lá... Mas tinha mesmo de expressar a minha opinião sobre “esta matéria”.